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GAZETA SETUBALENSE
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Ambiente
Mitrex 2018: Protecção Civil Municipal de Setúbal testou capacidade de resposta a grave acidente industrial na área da Mitrena
ana maria santos
2018-11-17 / 16:39
FONTE: Gazeta Setubalense
O descarrilamento de um vagão cisterna, na linha ferroviária do Sul, em Praias do Sado, seguido de derrame e dispersão de uma nuvem de vapor de amoníaco, foi o cenário criado para a realização do simulacro Mitrex 2018, exercício de treino das capacidades de coordenação, entre os agentes de protecção civil do concelho de Setúbal, que ontem se realizou.

Criados para a ocorrência, em vários cenários, de acidentes que envolvam a área industrial da Mitrena, os Mitrex têm como objectivo testar todos os meios de socorro, perante uma situação real e, dos simulacros realizados, recolher informação que possa aprimorar a prontidão de socorro.

Ontem decorreu mais um desses simulacros, desta vez perante um cenário de descarrilamento de um vagão cisterna, carregado com amoníaco, seguido de dispersão de uma nuvem de vapor daquela matéria perigosa.

No  quartel da Companhia de Bombeiros Sapadores de Setúbal o alerta soou cerca das 10 horas e, pouco depois, eram deslocados para o local do acidente vários meios dos Bombeiros, Protecção Civil, PSP e GNR. Já no local, os operacionais depararam-se com um grave cenário que obrigava à evacuação, imediata, da estação de Praias do Sado, habitações, escolas e unidades fabris, num raio de um quilómetro.

Activada que estava, já nesta altura, a Comissão Municipal de Protecção Civil, reunida nas instalações do quartel da CBSS, os meios de socorro no terreno iam recebendo informações (nomeadamente com base num simulador que, pela primeira vez foi testado em Portugal) sobre a área atingida e a evolução da nuvem tóxica, de forma a tomarem as melhores decisões que impedissem a propagação da mesma, bem como a salvaguarda da população daquela área do concelho.

O derrame do produto tóxico, neste simulacro, fez vários mortos, feridos com efeitos irreversíveis, vários outros com efeitos reversíveis (entre os quais 24 crianças de uma escola atingida) e mais umas largas centenas que registaram sintomas devido a inalação do produto que, numa situação real, leva à morte em poucos minutos.

Os mortos foram transportados para a morgue do Hospital de S. Bernardo e os feridos para o serviço de urgência da mesma unidade hospitalar. Em paralelo, decorria a evacuação dos trabalhadores de várias empresas, feitas pelo rio Sado, com a ajuda de um ferry.

No terreno, e enquanto uma primeira equipa procedia aos trabalhos de control de propagação da nuvem, outros operacionais preparavam-se com fatos de protecção total (com autonomia respiratória de 30 minutos), de forma a poderem intervir junto do vagão cisterna. Terminados os trabalhos, foi necessária a passagem por uma câmara de descontaminação.

Este simulacro permite resolver um problema que é testar todos os meios envolvidos, testar o planemanto que foi feito e os planos de emergência, nomedamente o da Mitrena e das empresas ali instaladas, e a capacidade de resposta dos vários parceiros, da Comissão Municipal de Protecção Civil, também da capacidade de montar, rápidamente, um sistema de comando e de chegar, identificar e intervir”, explicou o vereador da Câmara Municipal de Setúbal, com o pelouro da Protecção Civil, Carlos Rabaçal.

O exercício decorreu bem e, segundo o vereador, o que motiva a realização destes simulacros é que “temos em Setúbal produtos químicos perigosos e, os mesmos, podem originar um acidente, tal como aconteceu há uns tempos atrás em que tivemos um acidente, envolvendo fósforo, em que tivemos que intervir rápidamente e após se ter realizado, pouco tempo antes, um simulacro exactamente com o mesmo cenário, facto que levou a uma grande rapidez de intervenção, quer das próprias empresas, quer dos nossos operacionais, assim como o pedido de ajuda externo”

No exercício ontem realizado, estiveram envoldias cerca de 300 pessoas, nomeadamente 37 bombeiros especialistas (de lembrar que a Companhia de Bombeiros Sapadores de Setúbal possui a única viatura de de intervenção química existente a sul do Tejo), para além dos serviços de várias outras entidades de segurança e socorro, equipa de avaliação, observadores, trabalhadores das empresas, população da área afectada e das escolas, num total de cerca de seis mil pessoas.

Da parte da tarde decorreu uma reunião entre as entidades envolvidas e a equipa de avaliadores, após o que foi elaborado o relatório de avaliação do exercício.

Gestão operacional: Simulador testado pela primeira vez em Portugal

Criado por Herculano Caetano, professor universitário em Paris, um simulador de gestão operacional para acidentes de grande complexidade, nomeadamente os de causas naturais, foi utilizado no exercício ontem realizado em Setúbal e, pela primeira vez, a nível nacional.

Com vista aérea sobre a área da ocorrência, o simulador, explicou Herculano Caetano, “vai prestando apoio à gestão operacional no terreno, com informações precisas sobre a evolução, neste caso, da nuvem tóxica, avançando com informações várias sobre a área letal, a área onde se pode ter acesso (sem colocar em perigo a própria vida), as áreas que devem ser evacuadas de imediato, entre muitas outras informações” que ajudam os operacionais no terreno a tomar as melhores, e mais rápidas, opções de salvamento de vidas e controle da causa do acidente.

Segundo o vereador Carlos Rabaçal avançou ao jornal Gazeta Setubalense, este simulador “está a ser testado, pela primeira vez, a nível nacional, em Setúbal e resulta de uma parceria entre o município e o Instituto Marie Curie, em Paris”, adiantando que o mesmo poderá ser uma ajuda preciosa em situações de catástrofe e de acidentes da natureza do que foi testado no Mitrex 2018.

Aliás, durante a tarde de ontem o mesmo simulador foi utilizado para que o Serviço Municipal de Protecção Civil e Bombeiros de Setúbal pudesse ter noção dos estragos provocados no concelho se, tal como estava previsto, o furacão Leslie tivesse entrado em Portugal Continental neste distrito.

Como se sabe, o furacão acabou por mudar de rota e entrou em território nacional na área da Figueira da Foz, com todos os prejuízos que são conhecidos.

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