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GAZETA SETUBALENSE
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Cultura
Festival Internacional de Teatro de Setúbal: Ah! Minha Dinamene! peça do Teatro Estúdio Fontenova a não perder
ana maria santos
2018-08-25 / 21:12
FONTE: Teatro Estúdio Fontenova
Que melhor maneira haveria para se ter dado início ao redondo 20.ª Festa do Teatro|? O Teatro Estúdio Fontenova deu o pontapé de saída com uma espetacular peça, que desde já se recomenda a que se veja, pelo menos, duas vezes.

José Maria Dias, director do Teatro Estúdio Fontenova e organizador do Festival Internacional de Teatro de Setúbal, que este ano assinala a 20.ª edição, encenou uma peça que, sem dúvida alguma, merece que seja mais uma marca no seu já vasto e brilhante trabalho como encenador e não só. 

Graziela Dias, me desculpem os demais atores que têm apontamentos na referida peça, destaca-se num dos seus mais altos momentos como atriz.

Uma questão nos vem logo à mente, porquê tanto talento escondido? Graziela já nos habituou a brilhantes interpretações, mas esta, de certo, marcará para todo o sempre a sua carreira de atriz.

A freira moleira que na solidão do velho moinho, na sua rotineira tarefa de moer os cereais de que as irmãs fazem pão e as hóstias, vai desfiando uma vida azeda de cinquenta anos de cárcere, onde a opção alternativa, a de moleira, seria a de lavar as lajes do convento, nos vai falando dos males da solidão. Um poema acorda uma paixão fogaz por um soldado francês, tal como a da histórica e bem conhecida Mariana Alcoforada. A solidão e a rotina somadas à idade avançada da nona, leva a que a mesma se perca nos caminhos de um prazer fugidio de paixões e desamores.

A freira moleira, antes analfabeta, torna-se numa leitora feroz, onde há apenas espaço para a leitura de qualidade suprema, dirigida pela mão do amor fugidio do soldado francês, que na paixão una pelo álcool, a inicia nos prazeres carnais e na sabedoria dos livros de pensadores e historiadores, ela devolve-se com o saber de conhecer o sabor da aguardente. A freira soma à sua dividida paixão carnal e a vinícola, o amor pela poesia e ao saber que nos livros se escondem.

As cartas de perdão do século XV apresentadas a D. João II, serviram de base ao texto de Luísa Monteiro, a partir da investigação histórica de José Luís Neto sobre as centenas de mulheres condenadas ao exílio, leia-se clausura dos conventos e casas de recolhimento, como o foi a hoje Casa da Baía. Mulheres da “vida fácil!?” eram arrumadas em esconderijos onde a vista do povo as não pudesse alcançar.

A irmã parte da vida terrena deixando a mensagem que hoje é defesa dos direitos da humanidade, da mulher.

Deixemos, para remate, que esta peça irá fazer um percurso no País. A mensagem é digna e importante ainda hoje. Há, no século XXI, quem ainda assim pense, tal como a Santa Inquisição do século XV.

Dinamene, mostrou não ser um só pedaço de carne de luxuria e obra, havia mais e o seu legado ficou para que hoje a nossa geração possa dizer de sua justiça e orgulhar-se de si.

A Festa do Teatro vai continuar e mais peças teremos oportunidade de ver. Por conseguinte esperemos pela próxima.

Alfredo Portugal da Silveira

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