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GAZETA SETUBALENSE
A informação na hora certa.
Editorial
A carteira e a mediatização
ana maria santos
2017-07-26 / 22:04
FONTE: CA
Defendo, sempre defendi, que um jornalista, encartado, deverá ser respeitado e, principalmente, respeitar quem está a trabalhar. Ou seja: eu respeito, desde que me respeitem. Afinal, quer de um lado, quer de outro, existem pessoas a fazer o seu trabalho e todo ele é merecedor de respeito.

Sou jornalista há muitos anos, mais de 30, muito embora tenha carteira profissional talvez (já não me lembro!) há cerca de 25 anos, não sei e nem me vou dar ao trabalho de querer apurar a “idade” da dita!

Eram tempos diferentes em que ter carteira profissional era um mérito e só a tinha quem a merecia!

As coisas mudaram e, actualmente, todos têm o cartãozinho (na maior parte dos casos para lhes facilitar a vida e entrar nos locais onde lhes é mais conveniente) que dá acesso, diz o Código Deontológico, a poder analisar os factos “com rigor e exactidão”, interpretando-os com honestidade e de forma a que possam ser comprovados, “ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso”. Ou seja, cabe ao jornalista, aos que levam a sua função a sério, obter a informação mais correcta, e fidedigna, possível para prestar informação à população alvo do órgão de informação que o jornalista representa.

Defendo, sempre defendi, que um jornalista, encartado, deverá ser respeitado e, principalmente, respeitar quem está a trabalhar. Ou seja: eu respeito, desde que me respeitem. Afinal, quer de um lado, quer de outro, existem pessoas a fazer o seu trabalho e todo ele é merecedor de respeito.

Ontem, como desde há muito não me acontecia, deparei-me com vários entraves há minha função e registei algumas surpresas, várias delas que não vou, sequer, referir neste artigo para não denegrir a imagem de algumas instituições e pessoas que, perante uma ameaça real de perigo para as populações, pura e simplesmente se demarcou do seu papel. Outras questões, para outras oportunidades e, até, para futuros trabalhos de informação!

Factos: as instâncias governamentais (não todas, felizmente, mas a maioria) gostam muito dos órgãos de comunicação social, nacionais, que condenam de cada vez que a informação sai “clara” demais ou empolada demais. Todos sabemos, jornalistas e leitores em geral, que basta surgir o jornalista que representa o órgão Y, ou o canal de televisão X, para que alas sejam abertas porque é hora dos tais “5 minutos de fama” a que todos se acham de direito. Nada contra! Força! Podem exibir as vossas capacidades/funções para todo o país. Afinal temos gente que merece aparecer, dar a cara, fazer com que reconheçam o seu esforço e valor.

Pior, na minha modesta opinião de profissional da comunicação social, muito embora local e que, na minha opinião, continua a ser a mais importante pelo contacto estreito com as populações de uma determinada região, neste caso Setúbal, é o facto de, tal como ontem aconteceu, ser impossível obter qualquer informação sobre a situação do incêndio que colocou em risco habitações e que levou à retirada de mais de 500 pessoas dos locais onde se encontravam.

Foram horas de contactos com uma única, e sempre a mesma, resposta: “não temos ninguém para prestar informação!”. A questão seguinte, porque óbvia, foi “e contacto do responsável que possa falar connosco?”. Volta a resposta, mecanizada do telefonista: “não temos ninguém para prestar informação”!

Eu sei que esta ânsia de informação (não por ser um desejo pessoal, mas por ser a responsabilidade que assumimos com os leitores que seguem cada um dos orgãos de informação, neste caso em concreto o meu, a Gazeta Setubalense) pode parecer estranha mas, do outro lado do nosso trabalho existem pessoas que, sendo de Setúbal, não residem neste concelho, muitas delas nem neste país. E é essa a nossa maior obrigação: sermos os seus olhos e ouvidos, transmitir-lhes o que se passa, preferencialmente, com informação rigorosa e não empolgada.

Como se a falta de informação de ontem (e estou a referir-me ao meu caso em concreto, enquanto órgão de comunicação regional, que só conseguiu obter informação da presidente da autarquia sadina, já para lá das 3 horas da madrugada) não fosse suficiente, cerca das 3.30 horas, quando eu e uma outra colega de profissão pretendíamos circular para Setúbal, a partir do Hospital da Luz, eis que um GNR, extremamente compenetrado na sua função (e, não temos dúvidas, nas ordens que recebeu) obrigou duas mulheres a rumar ao Vale da Rasca, entrar pela Serra da Arrábida, dar uma volta enorme, para chegar a Setúbal…mesmo na nossa frente, na saída do hospital, uma viatura à civil, rumou à esquerda e seguiu, calmamente, em direcção a Setúbal. No mesmo momento, a directora do serviço regional da Segurança Social, Natividade Coelho, pretendia entrar no mesmo Hospital (onde se encontrava instalado o posto de comando) e foi ignorada, completamente, pelos senhores militares da GNR que “garantiam” a segurança (?) daquela área com a frase: “aqui ninguém passa”…

Bem, lá fomos nós dar a volta pela Serra, chegámos a Setúbal e, as duas profissionais, com quase 24 horas sem dormir, fizeram o seu trabalho o melhor que foi possível!

P.S.: Só a propósito de fazer trabalho digno! Hoje vimos vários órgãos de informação a fazer copy paste de órgãos de comunicação nacional que, por sua vez, fizeram mais copy paste de quem foi ao local e contou a “história” à sua maneira… Lá está! Informação correcta e fidedigna dá trabalho e pode incomodar, quem não quer ser incomodado!

Ana Maria Santos

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