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GAZETA SETUBALENSE
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Entrevista
Luís Lança candidato à presidência do U.F.C.I.: “Estamos muito preocupados com a situação do clube”
ana maria santos
2017-03-29 / 21:31
FONTE: DR
A situação financeira do Futebol Clube Comércio e Indústria, de Setúbal, é a principal preocupação dos candidatos às presidências o Clube e da Assembleia Geral. A dois dias de eleições, a única lista a sufrágio garante que, a ser eleita, tudo fará para voltar a colocar o Clube no lugar de destaque a que pertence.


Esta sexta-feira, 31 de Março, realizam-se as eleições para a presidência do União Futebol Comércio Indústria. A lista única a concorrer conta com Luís Lança como candidato a presidente do clube e Vítor Augusto a presidente de Assembleia Geral. O Gazeta Setubalense teve a possibilidade de falar com ambos e perceber, afinal, quais os problemas e soluções para o clube.

Gazeta Setubalense: Quais os planos económicos e desportivos traçados para a recuperação do clube?

Luís Lança: Os planos desportivos e financeiros passam por um estruturação enorme, porque o clube, não só o Comércio, mas todos os clubes amadores a nível distrital, passam por dificuldades económicas. O clube tem vindo, nestes últimos anos, a agudizar cada vez mais essa situação e neste momento é uma coisa assustadora e nós estamos muito preocupados. Não temos conhecimento real da situação do clube, temos algumas ideias, alguma informação que nos foram passando, mas em rigor nós não temos essa informação. É uma situação que nos assusta, mas depois de tomarmos posse, se tomarmos posse, pois as eleições são só na sexta-feira, temos que fazer um levantamento exaustivo do clube e aí ver e atacar as prioridades, porque há prioridades mais urgentes que outras.

G.S.: Dos problemas dos quais já tem conhecimento e consciência, qual lhe parece ser o mais preocupante de momento?

L.L: De momento é mesmo a situação financeira do clube. É uma situação que me preocupa não só a mim, mas a toda a minha equipa, profundamente, porque é mesmo muito grave.

G.S.: Tem alguma maneira já em mente para a resolver? Apoios, parcerias…

L.L.: Temos alguns apoios, algumas parcerias que, como deve calcular, não podemos divulgar. Mas sim, temos alguns apoios para que no imediato consigamos resolver problemas do dia a dia do clube, problemas de tesouraria, que sabemos que é um sufoco grande para as pessoas que ainda estão no clube da atual direção e que ainda vão gerindo e mantendo o clube a funcionar. Fomos falando com as pessoas e fomos percebendo isso, é um sufoco grande o aspeto da tesouraria, pois há despesas diárias que eles não podem sustentar.

G.S: Em clubes desta dimensão, a “Academia” é muito importante. O que pretende fazer para evitar o tal “esvaziamento do projeto da academia”?

L.L.: Sim, é muito importante, facto pelo qual pretendemos a sua recuperação. Há quatro ou cinco anos atrás, o clube viveu os seus tempos áureos nessa área. Tinha-mos duzentos e poucos miúdos na formação, espalhados pelos diversos escalões, e hoje não chegam a cem. A formação é uma grande fonte de receita para o clube – não só para o Comércio Industria mas para todos os clubes – e temos de recuperar essa formação. Acreditamos e queremos ter a implementação de um relvado sintético, pois o clube só tem este campo e é impossível manter todos os escalões num relvado com relva natural, porque financeiramente não é viável e se não conseguirmos o sintético, eventualmente, as coisas vão degradar-se ainda mais. Mas acreditamos que o vamos conseguir, até porque faz parte do nosso projeto. Todos os escalões têm de jogar aqui, porque não faz sentido os séniores, os júniores, os juvenis ou outro escalão jogarem aqui e depois haver outro escalão que vai jogar ao Viso, ou outro que vai jogar a Aranguez ou ao Faralhão…

G.S: O sintético é, também, um tipo de campo que chama muito os miúdos, pois preferem jogar num sintético, que no pelado ou num relvado sem condições.

L.L.: Hoje, para jogar num relvado natural mau, é preferível jogar no pelado. E é isso que acontece aqui. Infelizmente, o Comércio Indústria tem uma relva natural, mas que está em muito mau estado devido aos invernos, ao número de jogadores que estão ali em cima diariamente a treinar… Não é viável. Financeiramente o clube não tem capacidade de resposta.

G.S.: O Comércio já foi um dos maiores clubes amadores de Setúbal. Depois do Vitória, mesmo a nível das camadas jovens, aparece sempre o Comércio. Como tenciona fazer com que essa grandeza volte a ser sentida, até porque os séniores estão para descer

L.L.: Temos de fazer tudo para evitar que os séniores desçam de divisão, ainda por cima no ano em que o clube comemora o seu centenário. Temos mesmo de fazer todos os possíveis, todos os esforços, pedir ajuda a todos, sócios, simpatizantes, atletas, ex-atletas, porque o clube não pode descer de divisão. Não é só o facto de descer de divisão. Se já é difícil manter o clube numa primeira distrital, muito mais difícil é disputar a segunda divisão. Os apoios não são os mesmos, as dificuldades são maiores, pois há uma grande competitividade da segunda divisão distrital, por incrível que pareça é muito competitiva e muito difícil subir de divisão. Por tudo isso e mais alguma razão, nós temos, obrigatoriamente, que nos manter na primeira distrital.

G.S.: Mantendo os escalões na divisão em questão, será depois prioridade subir os outros escalões que se encontram em divisões inferiores?

L.L.: Não. Neste momento o clube não tem uma situação financeira que nos permita sonhar a outros patamares. No imediato, no primeiro ano, não é viável. Não digo que no segundo ou no terceiro ano de mandato, não o seja, mas no imediato não é viável. Teria todo o gosto em dizer aos sócios e simpatizantes que isso era possível e viável, mas não é, infelizmente, não é. Há um ano e meio, quando nos candidatámos a situação financeira era outra, a situação social era outra. Neste momento, tal não é viável, nem pensamos nisso. A prioridade é manter o clube, com os escalões que tem. Primeiro estabilizar o clube e depois sim pensar no resto. Temos de começar a construir pelos alicerces e não pelo telhado.

G.S.: Falou de recuperar a “mística” do clube. Como é que se recupera uma “mística”?

L.L.: Mística passa por trazer para o clube os sócios antigos, os jogadores antigos, que nos possam ajudar. Hoje, eventualmente, a maioria não serão atletas, porque a idade não permite, mas é possível recupera-los e eles podem ajudar-nos, na sombra, a divulgar e a ajudar o clube. Hoje, se virmos o Comércio Indústria num domingo à tarde, num jogo de séniores, olha para a bancada e vê um sócio ou outro mais antigo. Aqueles sócios de referência que o clube teve ao longo dos anos, não vêm ao clube, não se identificam com a situação atual do clube e por isso deixam de o acompanhar. Infelizmente acontece nos outros clubes também, até no Vitória de Setúbal. Queremos trazer esses sócios antigos do clube, antigos atletas do clube, que foram bandeira no tempo deles e assim, recuperar a tal mística do clube.

Vítor Augusto: Queria só deixar uns comentários, principalmente em relação à primeira e última perguntas. Relativamente ao plano desportivo e financeiro, penso que estão ligados. O Comércio Industria precisa de uma reorganização e de uma modernização administrativa. Essa reorganização vai levar a que se possam cobrar quotas a sócios que há muitos anos estão longe do clube. Não temos um cobrador, um sistema minimamente capaz de cobrança e essa modernização vai-se repercutir em entrada de receitas para o clube. Depois a questão da imagem e do marketing. Têm de ser muito documentados, pois vão trazer alguns investimentos e alguns interesses ao clube. Na questão do marketing temos algumas medidas imediatas que podemos no terreno implementar, rapidamente, num curto prazo, que é a credibilização da imagem do clube junto das entidades e depois as iniciativas criadas pelo clube, ou a integração em iniciativas como a Feira de Santiago e outras feiras da cidade, em que o Comércio quer estar presente. Depois, fontes de receita fixas, que nós também temos, e a questão da formação. Se nós conseguirmos chamar a formação novamente, a atingir patamares como o Luís disse, numa época em que a formação atravessou os tais períodos áureos, nós podemos conseguir isso e, como sabe, a formação é, também uma fonte de receita para o clube. Geralmente os dirigentes estão nos momentos bons ou nos momentos maus e nós vamos estar num momento mau. Há muito trabalho, mas também há espírito de iniciativa e há um crédito da nossa parte, acreditamos em nós próprios, como eu dizia na conferência de imprensa. Relativamente à mística, só para terminar.

Esta está também associada à memória do clube e nós queremos recupera-la. Seja através do espólio fotográfico, seja através das iniciativas do centenário – que até agora só é conhecida uma iniciativa gerada pela secção do atletismo, que ainda por cima é autónoma do clube, que nós iremos abraçar, logicamente , mas nós temos de gerar um programa para o centenário até ao final de 2017. A mística advém daí, levar a história do clube até outras gerações, porque o Comércio Indústria conheceu alguns momentos de glória na cidade e, de alguma forma a nível nacional, há muitos anos. As gerações mais novas gostam do emblema através da sua participação, da sua integração nas escolas de formação, na academia alvi-negra, mas há que dizer que o Comércio Indústria, aquando da sua fundação, foi um clube eclético que teve ciclismo, futebol, atletismo, entre outros, onde teve figuras destacadas, como por exemplo uma campeã no atletismo que mais tarde tornou-se internacional. Depois é importante trazer os veteranos para junto dos mais pequenos, mas também levar os mais pequenos para junto dos veteranos. Uma das iniciativas que nós temos é, já neste domingo, trazermos a equipa de benjamins, ou de traquinas, a acompanhar a equipa sénior na entrada em campo. Isso acaba também por trazer pessoas, outra imagem e fundir o passado e o presente.

As dificuldades sentidas no Comércio Indústria não são únicas. Luís Lança e a sua equipa pretendem relançar o segundo maior clube de Setúbal e tirá-lo da situação em que se encontra.

Joana Libertador

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