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GAZETA SETUBALENSE
A informação na hora certa.
Luísa Todi
ana maria santos
2016-12-30 / 16:54
A cantora lírica setubalense que foi idolatrada no mundo

Luísa Rosa de Aguiar, filha de Ana Joaquina de Almeida e de Manuel José de Aguiar, ela natural de Setúbal e ele de Lisboa, nasceu a 9 de Janeiro de 1753 na freguesia de N.ª S.ª da Anunciada, em Setúbal, terceira filha do casal e irmã de Cecília Rosa de Aguiar, sete anos mais velha e de Isabel Ifigénia de Aguiar, nascida três anos antes.

Filha de um professor de música e instrumentista, Luisa de Aguiar começou, aos 14 anos, a sua vida artística no Teatro do Conde de Soure em teatro musical. Seguiu caminho, com a sua irmã Cecília, em óperas cómicas até 1769, data em que, aos 16 anos, casava, pela Igreja, com Francesco Saverio Todi, violoncelista napolitano, admirador dos dotes vocais de Luísa de Aguiar.

Para além do apelido Todi, Francesco deu à esposa a possibilidade de aprender canto com David Perez, um conceituado mestre de capela da corte portuguesa. Os ensinamentos recebidos e a influência do marido levaram a cantora lírica a estrear-se, em 19771, na corte portuguesa, na presença da futura D. Maria I, passando a actuar no Porto, entre 1772 e 1775, no Porto, período em que nasceram os seus três filhos. O primeiro, João de Aguiar Todi, em 1972, Ana José Todi, em 1973 e, em 1975, Maria Clara Todi. A cantora teria um outro filho, Francisco Xavier Todi, em 1977.

A partir desse mesmo ano, Luísa de Aguiar Todi actuou, em todas as cortes europeias com a primeira apresentação em Londres, onde o acolhimento não foi muito favorável. No ano seguinte apresenta-se em Paris e é nessa cidade que dá à luz, em 1777, o seu quinto filho, Adelaide Todi.

No ano seguinte, Luísa Todi assina em Turim, cidade ode é aclamada no Teatro Régio, um contracto como prima-dona, sendo esse igualmente o ano em que foi considerada, pela crítica, como uma das melhores vozes de sempre. Foi igualmente nessa cidade que nasceria, em 1782, o seu sexto filho, Leopoldo Rodrigo Todi.

Luísa Rosa de Aguiar Todi foi cantora lírica aplaudida por toda a Europa, com destaque para as cortes da Áustria, Alemanha e Rússia, até 1783, altura em que voltou a Portugal para se apresentar perante a corte portuguesa.

Em 1784, Luísa Todi é convidada, juntamente com toda a família, para a corte de Catarina II, em S. Petesburgo, onde foi presenteada com jóias extraordinárias. Tal gesto, levou o casal Todi a escrever a ópera Pollinia, em homenagem à imperatriz.

A Alemanha foi, sem dúvida, o ponto alto da vida da cantora lírica: Frederico Guilherme II, da Prússia, convidou-a para a sua corte e deu-lhe um contracto milionário e o que de melhor lhe poderia oferecer, aposentos, carruagens e os seus cozinheiros pessoais. 

Segundo consta, Beethoven terá assistido a uma das actuações em Bona.

Luisa de Aguiar Todi volta a Portugal, mais concretamente a Lisboa, em 1793, para o baptizado da futura D. Carlota Joaquina, filha de D. João VI. Na ocasião a cantora precisou de uma autorização especial para cantar em público, acto proibido às mulheres, na época. Seis anos depois, Luísa Todi dava por terminada, em Nápoles, a sua carreira internacional.

Cantora de elite, e do mundo, Luísa de Aguiar Todi voltou a Portugal em 1801, mais precisamente para o Porto, cidade onde enviuvou do seu marido. Dois anos depois, na fuga das invasões francesas, conhecida por fuga da Ponte das Barcas, a cantora perde as suas riquíssimas jóias.

A partir de 1811, Luísa Todi vive em Lisboa. Com dificuldades económicas, cega e sem qualquer espécie de apoio, morre, aos 80 anos de idade, no dia 1 de Outubro de 1833, na freguesia da Encarnaçao.

O corpo da famosa cantora lírica da Europa foi sepultado no cemitério da Igreja da Encarnação, junto ao Chiado, por detrás da referida Igreja.


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