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GAZETA SETUBALENSE
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Catarina Marcelino: “Os factores de desigualdade estruturais continuam a ser os mesmos que no Séc. XX”
ana maria santos
2017-03-08 / 00:19
FONTE: DR
A Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino, concedeu uma entrevista ao Gazeta Setubalense onde sublinha a necessidade de que o Governo, e a sociedade em geral, se mobilizarem na criação de mecanismos que corrijam assimetrias sociais que ainda persistem.

Assinala-se hoje o Dia Internacional da Mulher num mundo envolto em tumultos, violência, discriminação racial e xenofobia onde, como sempre, continuam a ser as mulheres e crianças as mais atingidas.

Neste dia, simbólico mas de extrema importância para relembrar a (des)igualdade ainda existente entre os sexos, publicamos a entrevista que nos foi concedida por Catarina Marcelino, Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade.


Gazeta Setubalense: Mais de um século após o início das lutas femininas pela igualdade, continuamos a assistir a discriminações várias quer no seio familiar (grande parte dos meninos e das meninas são orientados de forma diferente, no que respeita ao tratamento a ser dado ao sexo oposto), quer em ambiente de trabalho. Esta é uma questão de cultura dos portugueses ou será porque os homens temem o desempenho das mulheres em locais de destaque?

Secretária de Estado: Hoje, em pleno Séc. XXI, os factores de desigualdade estruturais continuam a ser os mesmos que existiam no princípio do Séc. XX. As mulheres ganham menos que os homens, são as principais cuidadoras e responsáveis pelo trabalho doméstico e têm menos acesso aos lugares de poder e de decisão.

Diria que este paradigma social é uma questão cultural, mas mais do que isso está intimamente ligado às representações que temos dos papéis sociais das mulheres e dos homens que são construídos, em cada uma e em cada um de nós, desde a infância e nos condicionam e acompanham ao longo da vida.

Não me parece que haja aqui medo pela parte dos homens. Há sim um grupo que tem o domínio, o poder e o controlo social e como tal não está disposto a ceder facilmente. É por isso que temos que continuar a criar mecanismos como os limiares de paridade, vulgo quotas, para corrigir estas assimetrias sociais que teimam em manter-se e a educar para a cidadania e para a igualdade.


G.S.: A violência, sobre as mulheres, bem como os crimes de sangue sobre as mesmas, continuam a ter números muito elevados em Portugal. Por outro lado, é preocupante o número de jovens/adolescentes que aceitam a violência como sinónimo de amor. O que está a falhar? A sociedade não está a fazer bem o seu papel?

S.E.: Os números da violência doméstica são efectivamente muito preocupantes, as mortes que têm ocorrido são um flagelo, e por isso temos de nos mobilizar, Governo e sociedade em geral, no combate a este crime. O Governo está a apostar numa estratégia de articulação entre entidades e de territorialização das respostas na comunidade, para que as mulheres e as crianças possam ficar nas suas casas e que a casa abrigo seja sempre a última resposta. Os primeiros protocolos desta nova estratégia foram assinados no Litoral Alentejano com o envolvimento de todos os municípios, e hoje abrangem já 24 concelhos em territórios do interior do país.

Quanto à Violência do Namoro, dados que vieram recentemente a público, no Relatório da UMAR de 2017, indicam-nos que os jovens não reconhecem actos de violência psicológica como o controlo, a humilhação, ou a obrigação de ter relações sexuais, como actos de violência. Esta realidade deve interpelar-nos sobre que sociedade estamos a construir para as gerações futuras. Perante este fenómeno, estamos a desenvolver vários projectos de prevenção, informação e sensibilização da violência no namoro, ao nível do ensino secundário e nas universidades, com o envolvimento das ONG’s e das Associações e Federações Académicas, com um investimento público de cerca de 600 mil euros.


G.S.: O eurodeputado Jamsz Kowin-Mikke disse, na última semana, que as mulheres são inferiores aos homens, facto pelo qual deveriam receber menos, pelo mesmo desempenho profissional. Que comentário faz a esta posição, vinda de um eurodeputado?

S.E.: Acho que o senhor em questão não tem condições para exercer as funções que são exigidas a um eurodeputado. Os comentários feitos são misóginos, são contra os valores europeus e demonstram um nível de preconceito e de ignorância inaceitáveis.


G.S.: No Dia Internacional da Mulher de 2017 que conselho/orientação, pode deixar a todas as mulheres?

S.E.: Não queiram ser supermulheres e não deixem que ser mulher vos condicione na vida a ser o que quiserem ser. Eduquem as vossas crianças neste princípio, incentivem as raparigas e as jovens mulheres a não aceitarem o preconceito e os estereótipos de género.

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