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GAZETA SETUBALENSE
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Opinião
Entre as tormentas e a boa esperança
O desprezo pelo rigor num dirigente de uma instituição que pugna pela exigência orçamental no universo dos detalhes é no mínimo censurável tanto mais que Juncker sucede no cargo a um português, José Manuel Durão Barroso.

O Presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker, luxemburguês de nascimento, europeísta ex- governante do país de origem, afirmou recentemente em comunicação oficial que a Europa começa em Madrid. A presumível base desta referência só poderá assentar em ignorância geográfica ou desatenção inaceitável numa organização supranacional. O desprezo pelo rigor num dirigente de uma instituição que pugna pela exigência orçamental no universo dos detalhes é no mínimo censurável tanto mais que Juncker sucede no cargo a um português, José Manuel Durão Barroso.

Dois aspectos compete salientar neste contexto: Portugal é a nação mais antiga da Europa com os limites fronteiriços actuais, um exemplo de sobrevivência histórica e política tendo afrontado poderes e domínios avassaladores resistindo a invasões de impérios poderosos como o espanhol, francês e inglês, pioneiro na defesa dos direitos humanos na implementação da extinção da pena de morte e da escravatura, fundador na génese da Amnistia Internacional e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), detentora de um património nos 5 continentes e de uma língua oficial das Nações Unidas, curiosamente Campeã de futebol na Europa em 2017. Por outro lado o silêncio das nossas entidades eleitas sobre o assunto é por demais intolerável roçando uma submissão e vassalagem inqualificável. Como se não bastasse o autor desta omissão geopolítica foi esta semana agraciado com o Doutoramento honoris Causa pela Universidade de Coimbra, símbolo da portugalidade ou melhor da universalidade lusa.

Para os mais precipitados esta minha critica assumida poderá ser interpretada de modo erróneo na esfera do nacionalismo putrefacto ou do patriotismo puritano e bacoco. Tranquilizo as hostes nesse prisma porquanto a garantia de protecção  do nosso lugar no Mundo e na Europa é muito mais que uma objecção individual. Pertence ao domínio histórico e cultural inscrito na obra de Agostinho da Silva, Fernando Pessoa e de Martin Page, jornalista e escritor britânico, autor do livro "A Primeira Aldeia Global" em que atribui aos portugueses a autoria da maior epopeia da humanidade, os Descobrimentos e circunavegação, primeiro passo de gigante para a globalização na sua dimensão filosófica.

Sem querer dourar a pílula ou embandeirar em arco critico a hipoteca da soberania e da identidade certo que em todos os momentos de viragem da nossa história a defesa da independência e do caminho percorrido se deveu à expressão de orgulho nobre da plebe, com D. João I, com D. João IV e na Restauração da Independência em 1640 ou da reconquista da Liberdade de direitos em 1974.

Sr. Jean Claude Juncker a Europa que V. Exa. dirige sem clamor ou carisma estendida no planisfério entre o Atlântico e os Urais começa não na costa litoral ocidental do continente, estende-se aos Açores e Madeira, integra a plataforma continental do nosso país que, somada ao restante e pequeno território terrestre representa a maior área nacional e a maior zona económica exclusiva.

Será que nestes tempos de tormentas, na sua ilustre ignorância, já ouviu falar do Adamastor e dos abismos e monstros inultrapassáveis?

Olhe que nós, na nossa pequenez, ainda acreditamos na Ilha dos Amores, nas sereias e no Cabo da Boa Esperança.

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico