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GAZETA SETUBALENSE
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Opinião
“ O Melhor do Mundo”
Durante o tempo de doença Bradley tornou-se amigo de Jermaine Defoe, jogador internacional da selecção britânica.

Bradley Lowery é o nome de uma criança inglesa adepta da equipa do Sunderland, vítima de um neuroblastoma da glândula supra-renal, um tumor raro de prognóstico reservado. Morreu no passado dia 7 de Julho. Com honras de herói nacional. Durante o tempo de doença Bradley tornou-se amigo de Jermaine Defoe, jogador internacional da selecção britânica. Mais que um vínculo humano tornou-se um exemplo de vida. Nos últimos tempos de permanência entre nós, antes de partir na companhia dos anjos, como a família informou a opinião pública, o futebolista tratou com afã o superfã. Cúmplice no afecto e na ternura que comoveu o mundo inteiro. Envergando a camisola 6 de Inglaterra, Jermaine acompanhou o cortejo fúnebre com a mesma fidelidade construída nos abraços partilhados com aquele ser especial irradiando luz no sorriso. Fazendo juz ao nome do estádio do seu clube do coração. Dias depois o país prestou-lhe homenagem pública desfilando nas ruas ao lado dos super-heróis predilectos do miúdo, Spiderman, Batman, Tartarugas Ninjas. De carne e osso, alma e sentimento, outro de seu nome Defoe.

Se Fernando Pessoa no seu poema "Liberdade" dizia "Grande é a poesia, a bondade e as danças... Mas o melhor do mundo são as crianças", bem longe no Afeganistão, na capital Kabul, uma mulher de nome Mansoora Shirzad, deu vida na televisão local aos bonecos da Rua Sésamo enchendo de alegria as crianças de um país massacrado pela guerra e pelo fanatismo religioso. Vivendo sob a tutela talibã durante anos, as crianças eram proibidas de praticar desporto e a relva dos estádios secaram. No mês da libertação do jugo foi organizado um jogo no estádio nacional para de um modo simbólico marcar o regresso à euforia do desporto-rei num hino à Liberdade. Na memória da era das trevas ficava o drama de toda uma geração privada do simples gesto e gosto de transportar uma bola para a escola. Para um jogo pleno de alegria e fantasia. O drama de um menino chamado Ali a quem o regime talibã mutilou os pés, num assomo do Código de Hamurabi, pela afronta de transportar uma bola na sua mala.

A Michel Platini perguntou o jornal "A Bola", numa entrevista em Turim na sua passagem gloriosa pela Juventus, qual a melhor recordação do futebol numa carreira notável. A resposta não se fez esperar. Do seu álbum de recordações o génio da modalidade retirou a lembrança de um tempo em que, saindo de casa de seus pais com uma bola debaixo do braço, ia chamar os seus amigos numa convocatória para um jogo de rua. Entre o sonho de Michel, o pesadelo de Ali e o fervor de Bradley, o melhor do mundo traduzido num desporto onde a geometria da bola se combina e concorda com a forma da Terra e da Lua. Uma forma mágica de encanto e encontro. Mesmo nos desencontros da vida e da morte.


Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico