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GAZETA SETUBALENSE
A informação na hora certa.
Opinião
Pingpongyang
O clima de confrontação eminente entre os Estados Unidos da América e a Coreia do Norte sobressaltam as consciências mais atentas do mundo inteiro, envolvendo as potências directa ou indirectamente envolvidas nomeadamente a Rússia, a China, o Japão e a vizinha Coreia do Sul.

O uso de armas nucleares de médio e longo alcance pelo regime de Pyongyang incluindo mísseis intercontinentais cujo raio de acção pode atingir território americano, com ensaios repetidos na península da Coreia e Mar da China,  vem acicatar os ânimos num contexto político e geoestratégico singular.

Nunca o planeta tinha conhecido desde a II Guerra Mundial uma conjugação de factores como a intolerância e os preconceitos potenciadores das diferenças e dos ódios entre povos, ideologias e regimes.  Ao serem desenterrados os velhos machados de guerra, "tomawuahks" em língua nativa dos índios norte americanos, nome de baptismo dos mísseis da esquadra naval sob a ordem de Washington, a diplomacia, ou a falta dela, internacional conheceu momentos de perturbação e temor. A mistura explosiva gerada pela coexistência de líderes partidários da litigância como Donald Trump e Kim Jong Un, cujo desejo de protagonismo e sede de vingança exacerbam a hipótese de um conflito nuclear avassalador, criam um cenário de guerra devastadora.

A criação de dois lados antagónicos, com China e Rússia a par da Coreia do Norte e E.U.A. e Japão na defesa da Coreia do Sul, vêm hipertrofiar o braço de ferro e polarizar os antagonismos numa zona nevrálgica do globo.

A libertação do estudante americano, Otto Warmbier, de um campo de trabalhos forçados coreano, onde se encontrava pela simples razão de ter retirado um cartaz de propaganda de Estado num hotel, cumprindo pena de 15 anos, veio revelar o cinismo impiedoso do regime cruel do país asiático. Recebido em festa e regozijo no país natal, Otto regressou a casa em estado de coma irreversível tendo falecido dias depois da chegada. Vítima de lesões cerebrais presumivelmente causadas por paragem cardiorrespiratória algures no tempo da sua permanência em cativeiro.

Dias depois o basquetebolista Dennis Rodman, ícone do desporto norte americano, foi recebido com pompa e circunstância pelo líder da dinastia norte-coreana, na capital Pyongyang. Adeptos fervorosos um do outro. Curiosa a oferta do gigante rendido aos desencantos do ditador: o livro "The art of the deal" da autoria do inquilino da Casa Branca. Na mesma cidade de um país isolado, dono do maior exército do mundo, onde à noite uma mancha escura como bréu tinge a cintilância de luzes do planeta azul visto da órbita de um qualquer satélite. Um lugar de trevas num mundo onde os cavaleiros das trevas tentam enterrar os progressos da Humanidade e renascer um ambiente de terror e destruição. Disputando a autoria do epitáfio da Terra. Num cerimonial de apoteose da catástrofe. À beira do abismo. Longe de Genesis e perto do Apocalipse.