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GAZETA SETUBALENSE
A informação na hora certa.
Rafael Rodrigues
2017-09-14
Opinião
SOBRE OS MILITARES QUE A TUDO SE SUJEITAM – TREINOS, ACUSAÇÕES, JULGAMENTOS E MORTE... HERÓIS ESQUECIDOS EM VIDA E NA MORTE
Não queria comentar sobre os "nossos"... Dos “meus camaradas”. Assim por assim,

1.- Os factos: morreram um ou mais militares em treino, não um treino ou um exercício qualquer, um treino de risco e elevada exigência física e psicológica;


2.- Houve mais militares no mesmo treino e exercícios que ficaram feridos;


3.- São voluntário para uma especialidade diferente de outras e iguais a outras em todos os ramos das Forças Armadas (FFAA) onde constam os treinos e os exercícios de um programa de treino (ensaiado "n" vezes, quando outrora o era em zonas de eminente combate);


4.- O Hospital Militar, agora Hospital das FFAA, e a assistência não foram adequados por suposta falta de resposta ou desorçamentação que leva a pensar que o HMFAR não passa de um Centro de Saúde de bairro, que leva a muitos que dele têm necessidade a saírem dele esmorecidos por desmerecerem tão adversa assistência...


5.- Logo de imediato, tudo se faz para se encontrarem os culpados em nome e em pessoa, pouco se querendo saber as causas remotas. E, há muitas.

Reflectindo e/ou deflectindo da posição exuberante.


Assim,

Agora, quando morre um outro cidadão numa outra profissão ou exercício o que se faz?

Quase sempre, nada!


Lembro-me do caso da "praxe" onde morreram 7 ou 8 estudantes...o que aconteceu?
Falo nas praxes, onde era suposto que os nossos filhos fossem para um estabelecimento de ensino onde o único risco é estudar e "atravessar a rua"...

Caíram e desapareceram, não sei quantos (23 ou 25) elementos na construção de uma das pontes...

Morreram, já não sei, quantos bombeiros...

Morreram cidadãos em incêndios…

Morrem jogadores em pleno jogo de futebol ou em treinos...

Quero com isto dizer que há ofícios em que o risco é mais elevado do que ficar atrás de uma secretária, de uma máquina de costura, de uma panela de comida ou a servir às mesas de restaurantes e bares, sem desprimor para cada um desses obreiros.


Poderão ter havido excessos ou abusos na actuação dos instrutores que preparados estavam para as altas temperaturas do dia, mas que os instruendos ainda não se tinham adaptado... Os instruendos são informados e treinados a conhecer os limites e dizerem "não aguento mais"...

Nunca se pode é dizer que a profissão ou o facto de se ser militar não comporta um risco elevado... Muito elevado e que a maioria de todos nós mal conhece (poucos o experimentaram) e muito de nós falamos como se vivêssemos dentro de um quartel. 

No meu caso sou um privilegiado porque experimentei, conheço e sei do que falo.

Mas, se por acaso, a nação não quiser FFAA, os seus cidadãos assumam com coragem que não querem ou que não é necessário esse pilar de soberania...

Todo o envolvimento que aparece em seguida ao facto da morte para encontrar a desproporcionalidade, todos os inquéritos (não bastava um?) não vão diminuir o risco a que a profissão de militar envolve e que só aceita voluntários... Não esqueçamos que o SMO (Serviço Militar Obrigatório) acabou!

Hoje, há correntes de opinião que já apontam como um complemento de cidadania e de melhor entendimentos dos valores que formam as nações.


A conclusão única e que conheço desde que abracei a carreira das armas (1973) é o lema que encontrei na caserna quando iniciei a recruta:

"Suor derramado na instrução é sangue poupado em combate"!

Por isso, cá como nos outros países, morrem poucos militares em treino... Para morrerem muito menos em guerra.

Não sejamos hipócritas.


Há poucos dias assistia a um programa feito com os nossos militares integrados nas forças da ONU destacadas em África, outros levam o nome de Portugal em muitos mais continentes... 

São um orgulho para Portugal e merecem de todos respeito e louvores, tanto como eles se orgulham e respeitam a bandeira nacional, um pano, um símbolo pelo qual em qualquer lado e em qualquer tempo dão a vida que no fundo sentem que é desmerecida para os que ficaram no conforto mas que os seus camaradas e familiares sentem como se algo deles se despegasse do seu corpo quando a vida deles se vai.

Tudo isto, não significa que não lamente a morte de um militar, que não sinta pesar por ela e que não acompanho no sofrer os familiares, todavia a vontade deles eram ser militares e dos "Comandos"... 

Faleceram a tentar alcançar um dos seus objectivos de vida.

Sempre que um militar morre, perde-se uma vida que com honra e nobreza quis de vontade própria ser um dos “nossos”.

Não envergonha ninguém.

Incontornavelmente responsabilizo-me por não ter nenhuma vergonha pelo muito que já dei e darei (se for caso disso) em nome de um país a quem servi e que ele só tem ou terá motivos para deste cidadão “militar” se orgulhar.


Nota: Quando escrevo... Faço-o, sempre, em profundo desacordo e intencional desrespeito pelo novo Acordo Ortográfico.