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GAZETA SETUBALENSE
A informação na hora certa.
Opinião
Um jantar de cerimónia
Como é natural, logo fiquei preocupado com tal distinção, nem sabia a razão porque recebera semelhante convite

Não esperava o convite. O correio trouxe uma carta com o carimbo da Presidência da República. Um papel amarelado como convém num caso destes. Bem mas queiramos ou não e sem muito esforço, este dá na vista; - um envelope retangular com o escudo da Nação, um envelope de cor amarelada velho. As mãos tremiam-me, que carta seria aquela, impostos não eram, talvez um convite para a secretaria de estado do ministério dos assuntos já resolvidos, ou dos esquecidos!? Bem fosse o que fosse o ideal seria abri-la. Tremendo como varas verdes, assim o fiz, fiquei branco ao correr rápido com os olhos as breves palavras escritas. Em palavras douradas, lá se dizia que era tão só um convite para jantar. EU!? Bem, só podia ser engano ou brincadeira?

Como é natural, logo fiquei preocupado com tal distinção, nem sabia a razão porque recebera semelhante convite. Bem, mas convite é convite e queiramos ou não temos de responder ao convite, dizer sim, estar presentes, não vá alguém que teve por sorte estar nas boas graças dos mandantes acabar na valeta dos esquecidos. Os carrapatos nunca dizem não, eu também não!

Bem, pensando a frio havia um problema, o mês continuava comprido para o ordenado de aposentado. Era evidente de que necessitava de roupa condizente, não podia ir de calças de ganga e polo. Que raio, teria de comprar um fato preto condizente com o momento, preto de bandas de cetim e leve risca da mesma origem nas calças. Teria de comprar um pin com a bandeira de Portugal, para não ser diferente dos demais. A camisa branca de peitilho devidamente engomado estava na gaveta, já devia cheirar a mofo, mas com uns dias ao sol, forte deste São Martinho, ficava como nova. Bem, mas na verdade a camisa estava um pouco amarelada, mas com o barulho das luzes passava. Gravata não, o que condizia às mil maravilhas seria um laço farfalhudo e bem teso. Procurei nos armários e acabei por o encontrar numa caixa esquecida num dos armários da roupa… por usar! Ah faltavam os sapatos!? Lembrei-me que em tempos para um casamento havia comprado uns de verniz pretos e muito lustrosos. Lembro-me que o seu brilho refletia tudo o que avistava, de baixo para cima. Chegaram-me, em tempos, a trazer alguns dissabores, pois enquanto dançava com certa dama da sociedade, olhando para o chão, vi refletido nos meus sapatos brilhantes de verniz, as partes intimas da senhora, que se havia “esquecido“ de ter vestido cuecas. Bem, mas isso fora, não voltaria a acontecer. Os sapatos, com um polimento bem puxado, voltariam a brilhar em toda a sua excelência. Claro está que só teria de ter cuidado com o lugar onde me deveria sentar não fosse voltar a encontrar outra dama VIP “esquecida” das roupas interiores.

O jantar distinguia os maiores valores da informática e inovação que durante três dias haviam deliciado o Mundo. A cibernética Web Summit teria o seu jantar de encerramento no Panteão Nacional. Logo aí me surgiu uma nova preocupação,  quem ficaria a meu lado? Camões, Sofia, Eusébio, Vasco da Gama ou dividiria o espaço com a Amália Rodrigues? E o menu compunham-se de quê? Nada melhor do ir para acreditar, só neste País em que os mais nobres e destintos portugueses servem de companhia a festas de perus emplumados. Quem sabe se algum destes novos exemplos nacionais e internacionais também aproveitaram para escolher o lugar onde possam vir a ser recordados na eternidade.

Quanto a mim, pobre mortal, resolvi voltar a vestir as calças de ganga, calçar os ténis e vestir um polo de mangas porque as noites já esfriam. Quanto ao jantar!? Bem e se eu fosse comprar um franguinho assado no super ou híper mercado da cidade e ficar a olhar a televisão, por exemplo o concurso sem jeito nem trambelho onde uma senhora, muito na moda, grita estridentemente e dá gargalhadas a despropósito?