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GAZETA SETUBALENSE
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Opinião
Vamos ao circo!
Carros com muitos anos, outros acabados de sair ao mercado, chegam à praça, ao largo onde os cabeçudos por lá já exibem, se pavoneiam imbuídos na maior das vaidades diplomáticas.

Montaram a tenda debaixo de um escaldante sol. Um pano de mil cores, listado ou sem riscas, (fica à vontade do patrão), enfim, de todas as muitas cores do arco-irís, cores dos que organizam a “barraca”. Bandeiras, multi cores, são hasteadas até ao mais alto dos mastros. Braços fortes, mas e também outros bem delicados, erguem-nas para mostrarem ao Mundo que estão ali por sua vontade.

Carros com muitos anos, outros acabados de sair ao mercado, chegam à praça, ao largo onde os cabeçudos por lá já exibem, se pavoneiam imbuídos na maior das vaidades diplomáticas.

Ouve-se atentamente o palhaço que conta anedotas que nos fazem rir, sorrir, de azia, mas sempre na esperança de dias melhores, os mais séticos abanam a cabeça. De olhos esbugalhados e queixo caído, rogo à multidão; - “deixem-me sonhar com a trapezista que desafia a lei da gravidade”. Salta sobre o arame que lhe suporta o frágil corpo de bailarina.

Logo a seguir vêm os elefantes de longas trombas. Cumprimentam os burros com um pequeno erguer da basta tromba. Sonolentos, passam pela turbe que os aplaude. Eles, já olham os fardos frescos que se amontam na mesa de recepção.

Há também camelos, muitos, de olhos semi cerrados que até parecem ser… inteligentes. Os cães malabaristas juntam-se aos outros, estes canídeos humanos, bem disfarçados, que fazem girar por cima das suas cabeças pesadas massas, brilhantes e muito coloridas.

Atiram-se bolas de sabão para o espaço, que cegam o público que em magotes, devidamente organizados, se vão amontoando defronte dos artistas que se aquecem para as suas intervenções. Olhem, vejam ali os palhaços, os ricos e os outros, os pobres. Rotos e esfomeados, juntam-se à festa dos que se acotovelam ora na pista, para mais tarde fazerem também eles parte do cartaz; - Ora dos comes e bebes, dos oficiais beberetes, das festas ora do povo.

Os leões e os tigres vêm também juntar-se aos senhores das pistas. Pisando o terreno com a firmeza, adquirida há muitos anos, todos eles aprendidos nos passados deste mundo de fantasia. Vêm os vendedores de algodão doce e maçãs cobertas de caramelo. Tudo a tostão, pois a comissão paga o resto. E os restos paga mais tarde o Zé.

Chiu… falem baixo, chegou o mestre-sala, o apresentador, o compadre da família. Logo destaca as primeiras vedetas, as que farão a festa das festas. O público impávido e já completamente iludido, luta pelas recordações do momento que as garçonetes vão distribuindo à direita e à esquerda.

É a bandeirinha com a cara do actor preferido, concorrente a ser líder do circo. A esferográfica que rápido deixa de escrever, o boné que ninguém irá usar na praia, a camisete de dois números abaixo, ou acima, enfim, tudo serve para recordar o festivo momento. Festa é festa e a brinde não se vira a cara.

Ouçam, espetem as orelhas e espantem-se com a música com que a banda do circo, embala o espectador. Chega o chefe da pista, o número um, aquele que nós, meros e mortais espectadores, olhamos com olhos esbugalhados as “Trumpices” que vai debitando como se acreditássemos no que está dizendo. Os muros caíram, já sei, mas ora erguem-se as tendas onde os artistas desfilam encharcados em lantejoulas.

Assim se montam os circos, iguais aos que por esta altura se montam por aí. Tem hora e dia marcado, depois, quando a festa passar, volta-se ao mesmo, nada restará das vãs promessas e juras feitas na hora. Na garganta morre a gargalhada e na algibeira dos calções o buraco aumenta, dia a dia, cada vez mais. Chega então o grande final e os recintos enchem-se para cruzarem no papel, o nome do actor preferido. Vá, vamos lá, meus senhores e minhas senhoras façam fila, organizem-se. Todos terão o seu quinhão e a devida oportunidade, esta festa é de todos. O beijo da trapezista, o aperto do homem das forças, juntam-se ao som dos domadores a estalam o chicote, cortando o ar. A festa está no máximo.

Amanhã será outro dia, aqui, hoje, a festa acabou, esta festa, mas outras virão no momento certo a que o público se lhes foi acostumando. O ciclo torna-se tradição. Certo e sabido, o circo voltará a descer à cidade daqui a uns breves aninhos, esperem mais um pouco.

Alfredo Portugal da Silveira