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GAZETA SETUBALENSE
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País
GNR de Setúbal desencadeia operação "Shadow Game" e desmantela rede de jogo ilícito
ana maria santos
2018-11-10 / 12:20
FONTE: Sapo
A Unidade de Acção Fiscal e o Comando Territorial de Setúbal da GNR, reforçados com forças da Unidade de Intervenção e dos Comandos Territoriais de Aveiro, Açores, Braga, Coimbra, Évora, Faro, Guarda, Leiria, Lisboa, Porto, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu, realizaram, entre os dias 6 e 8 de Novembro, a Operação "Shadow Game", a qual visou o combate ao jogo ilícito através de plataformas online e jogos de fortuna ou azar.

No decurso da operação, onde estiveram empenhados cerca de 1.000 militares, foram realizadas 267 buscas domiciliárias e não domiciliárias, bem como buscas a 156 veículos, todas em território nacional, que visaram a organização responsável pela concepção, distribuição e exploração de plataformas de jogo online, desde os responsáveis pela sua criação e fabrico, aos distribuidores e exploradores do jogo ilícito.

A operação estendeu-se ainda ao Luxemburgo onde foram também efectuadas cinco buscas não domiciliárias e três domiciliárias, levadas a cabo pela Polícia Judiciária Luxemburguesa e que visaram suspeitos portugueses fixados naquele país, no seguimento de um pedido de cooperação judiciária internacional, emitido pelas autoridades judiciárias portuguesas.

Por outro lado, e tendo em consideração a dimensão transnacional dos ilícitos, a referida operação teve, no plano da cooperação policial, o patrocínio e o apoio operacional da Europol, quer em território nacional, quer no Luxemburgo e, no âmbito da coordenação da cooperação judiciária, a intervenção do Eurojust.

Das diligências realizadas pelos militares da GNR, e para além de terem sido constituídas arguidas 14 sociedades comerciais e 93 pessoas singulares de nacionalidades portuguesa, brasileira, luxemburguesa e suíça, de destacar a realização de 30 detenções em território nacional, das quais sete em flagrante delito, e uma detenção no Luxemburgo, por via do cumprimento de Mandado de Detenção Europeu, bem como a apreensão de cerca de 600 mil euros em numerário, perto de três mil dispositivos informáticos utilizados para a exploração do jogo, apostas e lotarias ilícitas, entre os quais computadores pessoais, tablets, telemóveis, servidores, impressoras, entre outros, 86 veículos de média e alta gamas e 22 armas de fogo e cerca de 200 munições, de posse ilegal.

Ainda na sequência da mesma operação, os Gabinetes de Recuperação de Atcivos (GRA), português e luxemburguês, congelaram as contas dos indivíduos suspeitos, em território nacional e no Luxemburgo, avaliadas em cerca de 6 milhões de euros.

Segundo informa a GNR, em comunicado, “atendendo à especificidade e complexidade da matéria objecto de investigação, participaram na operação peritos forenses da Europol (que apoiou também com analistas de informação), da Autoridade Tributária e Aduaneira e da estrutura de Investigação Criminal da GNR, bem como técnicos do Serviço de Regulação e Inspecção de Jogos”.

A GNR refere ainda que a investigação sobre aquela actividade criminosa, que vinha sendo desenvolvida há cerca de um ano e meio, “permitiu identificar uma rede com dimensão transnacional, que operava simultaneamente em Portugal, Bélgica, Brasil, França, Luxemburgo, Moçambique e Suíça, e que constituiu, explorou e expandiu, de forma ilícita, domínios sediados em servidores identificados e software para o desenvolvimento de jogos de fortuna e azar, lotarias e apostas desportivas, com base na disponibilização de hardware a uma extensa teia de operadores locais e exploradores de estabelecimentos de restauração e bebidas, tendo gerado uma receita estimada na ordem dos 80 milhões de euros, sobre a qual se defraudou o pagamento dos tributos devidos em cada um dos referidos países”.

Os detidos começaram, na passada quarta-feira, 7 de Novembro, a ser presentes no Tribunal Judicial da Comarca de Setúbal, para primeiro interrogatório judicial, estando indiciados pela prática dos ilícitos criminais de exploração ilícita de jogo de fortuna ou azar, exploração ilícita de jogos e apostas online, apostas desportivas à cota de base territorial, associação criminosa, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais.

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