Secções

Opinião Sociedade Economia Política Região Turismo Cultura Desporto País Especiais Emprego Tecnologia Saúde Ambiente Inovação Internacional Cartaz Directório Mundo Entrevista Exclusivo Editorial

Directório

Adicionar Entidade 

Sobre

Termos e Condições Privacidade e Cookies Acordo Ortográfico Regras da Comunidade Ficha Técnica Estatuto Editorial Contactos

Siga-nos

Facebook Twitter
Thank you! Your submission has been received!
Oops! Something went wrong while submitting the form
Pesquisar
GAZETA SETUBALENSE
A informação na hora certa.
Política
BE: Catarina Martins defende eliminação das taxas moderadoras no SNS
ana maria santos
2018-07-27 / 16:23
FONTE: Lusa
Catarina Martins defendeu, esta quinta-feira, no arranque dos comícios de Verão do Bloco de Esquerda, que o investimento no Serviço Nacional de Saúde tem de aproximar-se dos seis por cento do PIB e que é preciso eliminar as taxas moderadoras.

Reconhecendo que o investimento na Saúde tem vindo a crescer, num total de 600 mil milhões, Catarina Martins destacou que o mesmo “ainda nem sequer cobriu os mil milhões de euros que foram cortados no tempo da troika e do governo PSD/CDS”. Ou seja, “não compensou os cortes e não responde à necessidade de modernização da Saúde”, acrescentou.

A coordenadora do Bloco destacou ainda que, “dos impostos dos contribuintes, do seu esforço, da sua contribuição para a Saúde, quatro em cada dez euros, em vez de irem para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), vão para o sector privado da Saúde” e que, “em 2017, as cirurgias no privado pagas pelo Estado cresceram 51 por cento”.

“Não só não investimos tudo aquilo que a Saúde precisa como aquilo que investimos estamos a investir mal, porque entregamos ao negócio privado o que devia estar no SNS”, sinalizou Catarina Martins.

A dirigente bloquista lembrou que, no início da legislatura, o ministro da Saúde afirmou que precisava de 800 milhões de euros para substituir material obsoleto para fazer exames de diagnóstico dentro do SNS.

“Esses 800 milhões de euros nunca foram investidos. Entretanto, gastamos por ano mais de mil milhões de euros a pagar a privados os diagnósticos que não somos capazes de fazer no SNS”, referiu Catarina Martins.

A coordenadora do Bloco apontou três garantias que são essenciais no próximo Orçamento do Estado, nomeadamente, “aumentar o investimento na Saúde em percentagem do PIB, porque se a economia cresce, a parte da riqueza que nós investimos em Saúde tem também de crescer”.

"Ultimamente, o investimento em Saúde tem estado em pouco mais de 4 por cento do PIB, muito longe dos 6 por cento que o Serviço Nacional de Saúde precisaria, não para fazer tudo o que desejaríamos, mas para responder a toda a população com as condições de dignidade que são exigidas", assinalou.

De acordo com Catarina Martins, é necessário fazer “esse caminho de coragem de dizer que a Saúde em Portugal precisa de um crescimento em investimento do PIB e que tem de se aproximar dos 6 por cento do PIB".

“E façamos uma segundo escolha: que esse investimento seja feito a equipar o SNS com o material e os profissionais de que precisa e não a contratualizar mais com o privado”, avançou. "Já chega do dinheiro de todos a servir para o negócio de poucos", salientou a coordenadora bloquista.

Como terceira proposta para o sector, Catarina Martins apontou para o fim das taxas moderadoras, salientando que "está provado que as taxas moderadoras não moderam o acesso à saúde", fazendo referência ao manifesto de 88 personalidades portuguesas apresentado esta quinta-feira, no qual é defendida a eliminação das taxas moderadoras. O documento é subscrito por personalidades como a antiga ministra da Saúde Ana Jorge, o especialista em saúde pública Constantino Sakellarides, o ex-secretário de Estado da Saúde Manuel Pizarro ou o antigo bastonário dos Farmacêuticos Aranda da Silva.

"As taxas moderadoras estão a negar o acesso à saúde de pessoas que dela precisam”, alertou a deputada, salientando que “o acesso à saúde não pode ser moderado, é um direito".

De acordo com Catarina Martins, não é preciso esperar pela nova Lei de Bases da Saúde para avançar com estas propostas: “Este Orçamento do Estado pode começar já a fazer o caminho", disse Catarina Martins, garantindo, contudo, que “o Bloco continuará a bater-se pela herança importantíssima de António Arnaut e João Semedo”.

Catarina Martins garantiu que os bloquistas lutarão e farão propostas no Orçamento do Estado pelos salários, pelas pensões, pela diminuição do preço da energia, pelo aumento do investimento na Saúde, na Educação, na Cultura, na Justiça e nos serviços públicos que são essenciais e que têm faltado às populações.

“Lutaremos, seguramente, pelas questões ambientais e fazemos o caminho porque sabemos as lições que estes tempos nos trazem”, sublinhou a deputada, referindo-se às “três lições fundamentais que já todos compreendemos”, facto pelo qual, referiu, “é preciso a coragem de as assumir nas políticas que contam”.

A primeira é que “recuperar rendimentos do trabalho não é algo que está acima das possibilidades da economia portuguesa ou das contas públicas”, enquanto que a segunda diz respeito aos serviços públicos: “aprendemos também que a ideia do Estado mínimo, que era preciso cortar nos serviços públicos, deixou o país desprotegido”, vincou.

A terceira lição “que estes tempos também nos trazem de uma forma dura é que gerir o país, gerir as opções de investimento como se fossemos capatazes de negócios privados, é um perigo para as contas públicas e é um perigo para o nosso futuro”, avançou Catarina Martins, lembrando os investimentos  em rodovia em vez de investimento em ferrovia e como as contas das PPP’s “configuram um verdadeiro assalto ao país”.

De acordo com a dirigente bloquista, “a política que conta e a estratégica económica que conta é aquela que pensa que planeta há um, que cada um de nós é responsável pelas gerações seguintes e que as opções económicas que se fizerem não podem ser a pensar no lucro rápido de uns quantos gigantes, têm de ser a pensar na sustentabilidade da economia para todos os que aqui vivem”.

“O ambiente, a reconversão energética, uma capacidade produtiva que proteja o país, e uma infraestrutura de transportes que o ligue, moderna, que não polua. É por aqui que temos de trabalhar”, rematou.

Partilhe
ver mais