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GAZETA SETUBALENSE
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Saúde
Investigação: Centro Hospitalar de Setúbal atribuiu prémio a tratamento ocular
ana maria santos
2017-12-19 / 18:52
FONTE: SMCI/CMS
A investigação sobre um tratamento recente, menos invasivo, para a cura de um tipo específico de lesão nos olhos recebeu, ontem, o primeiro prémio do Grupo de Investigação e Desenvolvimento do Centro Hospitalar de Setúbal.

Esta foi a primeira edição do prémio atribuído pelo gabinete de investigação, galardão patrocinado pela Câmara Municipal de Setúbal e criado no início do corrente ano, com o objectivo de estimular a investigação entre os profissionais daquele centro hospitalar.

“Entendemos que é fundamental estimular o trabalho de investigação no nosso centro hospitalar”, sublinhou a presidente da autarquia, Maria das Dores Meira, na cerimónia de entrega dos prémios, realizada durante a tarde de ontem, no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

Além da investigação desenvolvida pela equipa do Serviço de Oftalmologia, que recebeu o primeiro prémio, no valor de três mil euros, os segundo e terceiros prémios, com os valores de mil euros e 500 euros, respectivamente, foram entregues ao Serviço de Gastrenterologia, que apresentou dois ensaios focados em casos raros e que foram registados e estudados no CHS.

O prémio, que se reporta ao ano civil transacto, no caso desta edição inaugural a 2016, reflecte, para o presidente do Conselho de Administração do CHS, que o centro hospitalar setubalense “não tem descurado uma das vertentes que também fazem parte da realidade dos hospitais públicos: o ensino e a investigação”.

Esta aposta significa, para Manuel Roque, “o futuro, pois a forma como se desenvolve a ciência ditará a forma como seremos nos tempos que se avizinham”.

“Ocriplasmina nas trações vitreomaculares: A experiência do nosso serviço”, título do estudo vencedor, consistiu num trabalho em que se testou em pacientes do Centro Hospitalar de Setúbal a aplicação de um tratamento recente e potencialmente dissuasor de cirurgia nos casos de ocorrência de tração vitreomacular nos olhos.

Aquele tipo de tração consiste numa incidência anómala de um processo natural e comum do envelhecimento dos olhos, em que o humor vítreo, a “bola branca” que dá a forma redonda aos olhos e que tem uma consistência semelhante a um gel, despegar-se completamente da retina, havendo, porém, situações em que pequenas áreas continuam em contacto.

Como o humor vítreo tende a minguar com o envelhecimento, caso uma parte continue ligada à retina a mesma irá causar deformações no olho e, consequentemente, na visão do paciente.

Situações desta natureza  só tinham cura, até há pouco tempo, através de cirurgia. O Centro Hospitalar de Setúbal foi o primeiro no país a aplicar um tratamento, menos invasivo, que consiste na introdução, por seringa, de ocriplasmina.

Aquela substância acelera o processo de míngua do humor vítreo, conduzindo, na maioria dos casos, ao despegamento completo da retina, que, por sua, vez, recupera a forma original, devolvendo, assim, a visão ao paciente.

O Serviço de Oftalmologia, além de ter sido o primeiro no país a aplicar este tipo de tratamento, elaborou um estudo em que retira um conjunto de indicações que vão ajudar a melhorar a taxa de sucesso em futuras aplicações do tratamento.

David Martins, que, juntamente com Pedro Neves, liderou a equipa que realizou o estudo, agradeceu, na cerimónia de entrega de prémios, à presidente da Câmara Municipal de Setúbal “por, mais uma vez, demonstrar estar tão atenta à realidade que a rodeia”.

Além deste trabalho vencedor e dos outros dois premiados, ambos apresentados por Cláudio Martins, através do Serviço de Gastrenterologia, dirigido por Ana Paula Oliveira, a primeira edição do Prémio de Investigação do Gabinete de Investigação e Desenvolvimento do Centro Hospitalar de Setúbal recebeu mais 13 ensaios para avaliação.

O registo é a prova, para o coordenador daquele gabinete, Filipe Inácio, de que o prémio e o respectivo serviço já estão a surtir efeito na motivação dos profissionais do CHS, uma vez que “o número de ensaios realizados na instituição tem aumentado”.

Filipe Inácio sugere, ainda, que o CHS é “provavelmente o único hospital não universitário com esta dinâmica na investigação”.

Por SMCI/CMS

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