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GAZETA SETUBALENSE
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Sociedade
Faleceu D. Manuel Martins
ana maria santos
2017-09-24 / 14:16
FONTE: DR
D. Manuel Martins, primeiro Bispo de Setúbal, faleceu hoje, 24 de Setembro, aos 90 anos de idade, na Maia, em casa de familiares. Aquele que ficou conhecido como o “Bispo vermelho”, desempenhou um importante papel na vida social de Setúbal, principalmente junto dos mais carenciados e marginalizados.

A Diocese de Setúbal informou, esta tarde, que a morte de D. Manuel Martins ocorreu às 14.05 horas, em casa de familiares, na Maia.

Manuel da Silva Martins nasceu a 20 de Janeiro de 1927, em Leça do Balio, Matosinhos, tendo feito os seus estudos nos seminários do Porto e na Universidade Gregoriana, em Roma.

Entre 1960 e 1969 foi pároco de Cedofeita, onde promoveu a construção de uma nova igreja e a “Arca de Noé”, instituição com fins sociais e culturais.

Em 1975, em pleno Verão Quente do PREC, D. Manuel Martins foi nomeado primeiro Bispo da Diocese de Setúbal, tendo sido ordenado a 26 de Outubro desse mesmo ano, num meio de um clima social de grande instabilidade e de grandes carências. No dia da sua ordenação episcopal escolheu como lema: “nasci Bispo em Setúbal, agora sou de Setúbal. Aqui anunciarei o Evangelho da justiça e da paz”.

Ao longo de 23 anos, resignou a 24 de Abril de 1998, D. Manuel Martins viveu no meio do povo, numa actividade constante em defesa dos mais carenciados e marginalizados, a quem deu voz e para quem reivindicou, sempre, trabalho, dignidade e melhores condições de vida.

Divertido, afável e extremamente frontal, D. Manuel Martins disse sempre o que pensava, quer do poder político e das suas decisões sociais, quer da própria igreja e dos seus pares, o que lhe valeram o mediatismo e o apelido de “Bispo vermelho”, devido às suas intervenções em defesa do povo, denunciando a fome, os erros, as hipocrisias, as incoerências e as injustiças de que o povo da sua diocese era alvo.

Na lembrança de muitas famílias de Setúbal, ficará para sempre a garra com que denunciou a humilhação desumana de pobres, sem abrigo, migrantes e ciganos.

Alvo de várias condecorações e homenagens, a nível nacional, D. Manuel Martins recebeu, no distrito de Setúbal, a atribuição do seu nome a uma escola secundária, foi feito cidadão honorário do concelho de Setúbal, Almada ergueu-lhe uma estátua e em Sesimbra o seu nome foi atribuído a uma das artérias da vila.

A nivél nacional, o Bispo Emérito de Setúbal recebeu várias condecorações, entre elas a grão-cruz da Ordem de Cristo, o Galardão dos Direitos Humanos da Assembleia da República e a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo e a a medalha da Ordem de Timor-Leste, pelo papel que teve na restauração da independência daquele país.

Em reacção ao seu falecimento, o presidente da República divulgou um texto no qual refere que D. Manuel Martins “sempre manteve a fidelidade aos princípios e valores distintivos daquela região do país: o sentido de serviço aos outros, a dedicação ao trabalho e a preocupação permanente com a justiça social”, sustentando que o antigo bispo de Setúbal soube projectar “os valores universais do humanismo cristão muito para lá dos limites da sua diocese”.

“Seria na Diocese de Setúbal que, entre 1975 e 1998, a lealdade a esses valores mais se fez sentir, tornando D. Manuel Martins uma personalidade por todos admirada quer pelo vigor e desassombro da sua palavra, quer pela energia da sua acção, quer pela sua rigorosa independência face aos poderes instituídos”, assinalou o presidente português.

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